Bastidores

O papel do humano quando a IA faz o site

A IA gera 90% do site, mas o humano decide o que funciona. Conheça a divisão exata entre automação e curadoria na TIDEX.

VS
Vittor Saraiva
·07 de março de 2026·3 min de leitura

O humano faz 10% do trabalho mas toma 100% das decisões

No pipeline TIDEX, a IA gera 90% do código e do conteúdo. O humano contribui com 10% do esforço total mas é responsável por todas as decisões que definem se o site funciona ou não. Essa divisão não foi planejada — emergiu depois de 12 projetos-piloto onde testamos diferentes níveis de automação. Quando a gente tentou 100% IA (zero intervenção humana), o resultado era funcional mas genérico. Quando tentou 50/50 (humano escrevendo metade), o custo subia pra R$400 por projeto e o tempo ia pra 2 horas. O sweet spot ficou em 10% humano: briefing, curadoria e validação. É suficiente pra garantir qualidade sem inflacionar custo.

Momento 1: o briefing que a IA não consegue fazer

A IA não sabe fazer a pergunta certa pra um dono de açaiteria. Ela não percebe que quando o cliente diz "a gente é diferente porque usa frutas frescas", isso precisa virar o diferencial principal do site, não um bullet point perdido na página de sobre. O briefing é 100% humano porque exige empatia e julgamento contextual. São 7 perguntas que a gente faz em 3 minutos, mas a qualidade das respostas define o output inteiro. No case SRVM, a Sarah mencionou casualmente que fazia "design que conta histórias". Isso virou o headline principal. Nenhum prompt do mundo extrairia essa frase de um formulário automático.

Momento 2: curadoria — escolher o que fica e o que sai

A IA gera 3 opções de headline, 2 opções de CTA e variações de copy pra cada seção. O humano escolhe. Isso parece simples mas é onde mora o valor. A IA não sabe que "Transforme sua presença digital" é um clichê que todo site de agência usa. O humano sabe. A IA não sabe que o público de uma nutricionista em Belo Horizonte responde melhor a "Cuide da sua saúde com quem entende" do que a "Soluções nutricionais personalizadas". O humano sabe. Em média a gente rejeita 40% do que a IA gera na fase de curadoria. Não porque é ruim — é porque é genérico. E genérico não converte. Cada rejeição alimenta um log que depois melhora os prompts.

Momento 3: a validação que protege a reputação

Se um site sai com erro de português, link quebrado ou informação incorreta sobre o negócio do cliente, a culpa é do humano que validou, não da IA que gerou. Essa mentalidade muda tudo. O humano é o último checkpoint antes do deploy. A gente checa ortografia, precisão dos dados, funcionamento dos links e adequação visual. Em 1 a cada 5 projetos, a IA inventa um dado sobre o cliente — um endereço que não existe, um serviço que não é oferecido. Isso acontece porque o modelo preenche lacunas do briefing com inferências. O humano pega esses erros. Se não pegasse, a gente estaria entregando sites com informação falsa.

O que acontece quando o humano erra

Já aconteceu. No terceiro projeto-piloto, eu aprovei um site com um número de telefone errado. O cliente só percebeu 3 dias depois. A correção levou 2 minutos, mas o dano na confiança levou semanas pra reparar. Depois desse episódio, a gente adicionou um passo no checklist: confirmar todos os dados de contato diretamente com o cliente antes do deploy, mesmo que estejam no briefing. Parece burocrático pra um processo de 15 minutos, mas são 30 segundos extras que previnem um problema real. O humano no processo não é perfeição — é a camada que reduz a probabilidade de erro de 15% (IA sozinha) pra menos de 2% (IA + humano). Os números vêm dos nossos 12 pilotos.

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