Decisões de design que não deixamos pra IA
Headline, paleta de cores e tom de voz: as decisões de design que a TIDEX mantém sob curadoria humana e por quê.
O headline principal: a frase que define tudo
A gente nunca publica o headline que a IA gera sem revisão humana. Nunca. Em 100% dos projetos, o headline passa por curadoria. O motivo é simples: a IA gera headlines competentes mas genéricos. "Transforme seu negócio com design profissional" é correto e irrelevante ao mesmo tempo. No case SRVM, o Claude sugeriu "Design de Interiores com Excelência e Criatividade". Eu troquei por "Design que conta histórias" — uma frase que a própria Sarah usou no briefing. A diferença entre os dois é a diferença entre um site que parece template e um site que parece pessoal. O headline é a primeira coisa que o visitante lê e a última coisa que a IA deveria decidir sozinha.
Paleta de cores: a IA não entende contexto cultural
A IA sugere paletas de cores baseadas em padrões de mercado. Pra nutricionista, sugere verde. Pra advogado, azul-marinho. Pra restaurante, vermelho e dourado. O problema é que isso funciona pra mercado americano e europeu. No Brasil, o contexto muda. Verde pra nutricionista em Curitiba pode funcionar. Verde pra nutricionista em Salvador compete com 500 outros sites verdes. A gente avalia se a cor sugerida faz sentido pro contexto local e pro posicionamento do cliente. Em 45% dos projetos, trocamos pelo menos a cor principal. Não porque a IA errou — porque ela não tem como saber que o concorrente direto do cliente usa exatamente a mesma paleta. Esse tipo de inteligência competitiva ainda é 100% humana.
Tom de voz: a diferença entre formal e falso
A IA escreve em português correto mas tende a um tom corporativo que não combina com 70% dos nossos clientes. Quando o dono de uma academia de CrossFit tem um site que diz "Proporcionamos experiências transformadoras de condicionamento físico", algo está errado. Esse dono fala "Aqui a gente treina pesado e se diverte". A curadoria de tom é a tarefa humana mais frequente: em 62% dos projetos, ajustamos o tom de pelo menos 3 seções. O ajuste mais comum é trocar voz passiva por voz ativa e substituir palavras como "proporcionamos", "viabilizamos" e "otimizamos" por equivalentes que gente normal usa. Isso parece fácil mas a IA reincide — por isso mantemos humano nessa decisão.
Hierarquia de informação: o que vem primeiro
A IA coloca informações em ordem lógica, mas nem sempre em ordem persuasiva. Ela tende a colocar a história da empresa antes dos serviços, e features antes de benefícios. A gente inverte isso em 55% dos projetos. A regra que seguimos é: benefício primeiro, depois feature, depois prova social, depois CTA. A IA não tem esse framework porque cada modelo de linguagem foi treinado em corpus diferentes — o Claude organiza por relevância semântica, o GPT por frequência de padrão. Nenhum dos dois organiza por jornada de conversão. Esse reordenamento leva 90 segundos na curadoria e é provavelmente o ajuste com maior impacto na taxa de conversão do site final.
A escolha do que não mostrar
A decisão mais humana de todas: o que tirar do site. A IA preenche tudo. Se o briefing menciona 8 serviços, ela cria 8 blocos. Mas às vezes o cliente tem 8 serviços e 2 deles representam 80% do faturamento. Mostrar os 8 com peso igual dilui a mensagem. A gente pergunta: "Quais serviços você mais quer vender?" e destaca esses. Os outros ficam numa lista simples ou saem. Em 1 a cada 3 projetos, removemos pelo menos 2 seções que a IA gerou. Isso vai contra o instinto da IA, que tende a maximizar conteúdo. Mas menos é mais quando o objetivo é conversão, não informação. Essa decisão editorial é intransferível pra máquina porque depende de entender a estratégia do negócio.